Validem se acaso minha última amante vier me buscar, tenham a certeza sou um homem muito feliz!
Gostaria de ser original, mas, assim como a morte, também sou mediocremente óbvio, registrem-se pois, meus últimos desejos:
Faço questão que minhas orquídeas sejam distribuídas às mulheres que passaram por minha vida, mas só às especiais.
Àquelas que me deram frutos, dêem as phalenopsis sempre viçosas e duradouras; não gerarão mudas, apenas se fortalecerão e hão de liberar boas hastes que florescerão em breve futuro.
Pras que um dia me amaram, deixo todas as minhas dendobriuns de flores fartas e breves, que as amarelas fiquem com as morenas, as carmins com as mais pudicas e as tigradas a cada uma das mulheres que me arranharam as costas.
Coloquem-me num caixão barato, vistam-me a camiseta mais surrada, o jeans mais desbotado e aqueles tênis velhos coloquem-nos em meus pés, sem meias, com um pouco de talco.
Não me cubram de flores, apenas com aquela catleya labiata, com meus projetos inacabados e meus sonhos não realizados – serão eles que me farão lembrar quão apaixonante foi a vida que tive.
Liguem pros meus credores e avisem-nos que acionem meu fiador, o diabo e a ele acionem na justiça dos homens; aos meus devedores informem que é meu desejo que distribuam cervejas, champanhe, sucos e muito café. Quero o clima da última festa, quem sabe um violão e um piano pra eu dançar de rosto colado com a tal dama de negro, como se fosse a mais bela das amantes.
Quero os amigos brindando e cantando como se acreditassem que sou eterno, que contem piadas realmente engraçadas, que brindem sobre meu peito e mas não lhes permitam que o esquecimento de me derramar garganta adentro goles grandes do precioso líquido, como meu avô me ensinou!
Um gole de café pra espantar o sono, hei de estar acordado pra desvendar o mistério maior.
Quero alegria, felicidade, nada de lamentos ou cenas chorosas, quero confraternização nessa oportunidade única; não me tragam o silêncio nem a tristeza, quero o barulho e a algazarra dos tempos de criança, quero curtir esse momento da mais pura irresponsabilidade e se houver quem não possa fazer isso por mim, que me despreze e se retire.
Antes de abotoarem meu paletó de madeira, acendem um cigarro e coloquem em minha boca, depois me enterrem numa vala comum, de preferência ao lado de belas mulheres - detestaria estar em má companhia, cantem Let it be e me rendam uma última homenagem: sorriam, a felicidade deitou-se ao meu lado!
segunda-feira, 21 de março de 2011
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