domingo, 18 de abril de 2010

A triste sina de Afrânio da Piedade

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Quanto sofrimento, Afrânio da Piedade carregava metade da dor do mundo, nascera mesmo pra sofrer; se alguns nasceram de cu pra lua, Afrânio da Piedade despontou em noite de lua nova, bem na hora que retumbou a trovoada; certamente a parteira deu-lhe uma palmada na boca e ao invés de chorar, Afrânio da Piedade peidou!

A praga foi rogada!

Na infância, sua constipação era tão grave que nenhum médico resolvia seu problema. Foram tantos supositórios glicerinados, aveia nas mamadeiras, sucos de laranja lima... Nada o libertava de sua prisão e Afrânio da Piedade sofria.

Adolescência traumática, era motivo de escárnio entre os garotos, era rejeitado até naqueles jogos de revezamento, até os dezoito anos, fez de tudo pra tentar dar vazão aos seus escatóis.

Só resolveu a questão quando trocou os consultórios e farmácias pelos tribunais e trocou os laxantes por um habeas corpus...

Em suas corridas aos tribunais, entre juízes, juristas e gente graúda, Afrânio conheceu Maria, mulher de uma beleza bancária incomum, a sorte finalmente sorrira para Afrânio e naquele momento em que o padre perguntou: Afrânio da Piedade, aceita Maria Gates Buffet Kamprad Mittal Alsaud como sua legítima esposa?

Ouviu-se o sibilar de uma única palavra: A$$eito!

Mas o amor entre Afrânio e Maria não resistiu à bolha da primeira crise, num lapso de impressão em todos os calendários do mundo, agosto foi adiado pra novembro.

Com o divórcio, a vida de Afrânio da Piedade era cada vez mais penosa, sentia-se como quem contratou um plano de saúde e não leu o contrato, a má sorte pré-existente não lhe garantiu benesses. Nem com as putas a sorte foi além de um amarelado risinho, pegou quase todas as doenças venéreas, quando pagou adiantado à Daiane Uilfredi, musa arco-íris da Favela do Beiço, não foi além duns amassos, a biba morreu de choque anafilático nas preliminares. Em compensação, na hora do chilique, Afrânio acabou se assustando de forma tal que sua voz nunca mais foi a mesma e o seu pé, pisado com o salto sete e meio do quarenta e quatro, fá-lo-ia sofrer muito pela vida a fora...


Afrânio da Piedade - e dava mesmo – estava na fila desde as três da manhã, em pé, com frio, com fome, com dor e mesmo em sua fanhêz não parava um minuto de amaldiçoar os médicos, incapazes de aliviar o seu sofrimento por causa daquela unha encravada, era de encher os olhos de lágrimas, depois de muitas dores e reclamações ouviu: - próximo!

Finalmente seria atendido.

Simultaneamente, enquanto o doutor com cara de peão de frigorífico protestava: - próximo! Afrânio apontou pela porta, mancando, cara de dor, mas não exprimiu nenhum som... Era um novo homem.

Não teria mais como reclamar, extirparam-lhe o mal pela raiz!


Afrânio da Piedade – agora dava mais ainda - mudo e com aquela unha encravada, não raro pensava em desistir, aí se lembrava do seu ídolo, um tal de Joseph Klimber e recobrava sua energia, sua determinação. Queria por que queria jogar suas peladas, chutar de bico, fazer um gol de placa...

Apesar de tudo. Afrânio da Piedade era um homem de sorte, ainda tinha o seu all star pra cortar o bico e expor sua unha encravada ao mundo, mas doía e mancando tentou atravessar ileso, aquela maldita avenida... Tropeçou num daqueles imensos buracos que teimam em ocupar o espaço do asfalto liso, bateu justamente o dedo exposto... Dos males o menor, arranhou a canela, mas perdeu a unha e ganhou alguns pontos... E lá se foi pro hospital de emergências do SUS e quem é que o socorre?

– Próximo!

Afrânio da Piedade arrepiou-se, um puta-que-me-pariu instalou-se na garganta...

Afrânio - que de Piedade agora sim é que dava de verdade – livre da maldita unha encravada, mudo e com um ligeiro defeito na perna esquerda, nada tão grave que quatro e meio centímetros de salto não nivelassem, sentia agora uma dorzinha latejante, quase gostosa... O salto corretivo quebrou nas esburacadas e escuras calçadas da cidade, caiu de bruços, já não precisava gritar em silêncio, era atendido!

Afrânio da Piedade – agora abandonara o uso de cuecas – desenvolvera uma prazerosa técnica, toda vez que sentia cócegas em seu calado rabo, chutava o sapato pra longe e trôpego caia de quatro...

Mais do que nunca Afrânio da Piedade, dava pena, dava mesmo, dava no duro. E tanto deu que o sucesso lhe sorriu!


Depois de tantos dissabores e tanta falta de boa sorte que a vida lhe reservara, finalmente encontrara motivos suficientes para afirmar que crescera na vida: mudo, coxo e agora bissexual assumido, Afrânio era um poderoso empresário no segmento de serviços prestados à família... Gerava quinhentos e noventa e quatro empregos diretos e mais de cinco mil indiretos. Afrânio era dono do maior puteiro do país, só de putados eram quinhentos e treze entre putas, bichas velhas e bissexuais, depois vinham oitenta e um garotos de programa e aliciadores, esses eram especiais, aguentavam tudo sem as dores da consciência...


Nem Freud explicaria a complexa personalidade daquele homem baixo, feio e terrivelmente mal dotado. Juvenal, sem sombra de dúvida, era o resultado duma dessas experiências genéticas secretas mal sucedidas, cujos resultados, cientista nenhum expõem à mídia. Se não bastassem os desprezos evidentes da anatomia, Juvenal ainda sofria com seus desvios de conduta, por índole, um estuprador! Verdade seja dita, absolutamente ineficiente, mas tinha alma de estuprador, teria sido muito mais que um motoboy do parque, não fosse o baixo calibre da arma essencial.


Ao destino caberia cruzar as vidas de Juvenal e Afrânio, a deficiência de um era a pujança do outro e assim sem mais nem menos, com toda a insensatez que se pode atribuir ao acaso, Juvenal foi convidado para o dia da pizza!

Ao entrar no suntuoso bordel, o segurança, confundindo Juva com um dos profissionais da casa, foi logo passando a mão em sua bunda e um arrepio esquisito já percorreu sua espinha... Era só o começo, dali pra frente as coisas esquentariam!

Ocupando o microfone, estava Pátria, a puta mais explorada e mais requisitada, agradecendo o prêmio de recordista de abusos de toda espécie; Pátria em tom de desabafo falava justamente de como tinha sido violentada:

- Nobres colegas, fico feliz em ser instrumento de tanta orgia, já fui fodida por quase todos aqui presentes, já me arrombaram as pregas, já participei de não sei quantas surubas, mas, na verdade sinto-me cansada de tanto abrir a pernas e ficar de quatro, minha hora esta chegando, sinto isso aqui - apontando para o seu vale mais fértil..

– Excelentíssimos senhores deixem-me ao menos uma vez sentir prazer, quero gozar e não ser apenas instrumento de vossa lascívia...

Foi interrompida por vaias pan-americanas.

Juvenal, emocionado, candidatou-se a salvador da Pátria e com o apoio de Afrânio conquistou o direito de também estuprá-la...

Eleito, o novo estuprador, não tardou em marcar uma noitada com Pátria. Foram para um quarto decorado com extremo bom gosto, uma sala imensa, com as paredes revestidas no mais verdadeiro jacarandá da Bahia, e sobre a imensa mesa, Juvenal deu início ao seu fetiche...

Rasgou todas as roupas de Pátria, não sem sopapear-lhe, mamou nas tetas de Pátria até não poder mais, dilacerou-lhe o cu, a boca, em todos os buracos, tirava de um e botava no outro, sem a menor preocupação de preservar aquela mulher de todos, a seco; sua pequenez se agigantou e Pátria sofria com mais um gesto de brutalidade, ninguém a respeitava.

Afrânio da Piedade – e como dava – a tudo via, arrependido, mudo, capenga, mas de pau duro, não resistiu tanto sofrimento...

Torceu o imenso bigode e enquanto Juvenal fazia da Pátria o que bem queria, Afrânio foi lá e créu... Cravou-lhe uma ferrada no rabo desprotegido, as lágrimas correram pelo rosto de Juvenal, que agora sabia o que era um pau de verdade!

Juvenal estava pronto pra ser o novo cafetão, haveria de compartilhar os prazeres da Pátria com seus pares... Afrânio finalmente poderia passar o puteiro , o moto contínuo estava garantido.

Afrânio transferiu o bordel, mandou tudo que tirou de Pátria pra uma conta na Suíça e vive feliz e confortavelmente, fez implante de língua e prótese na perna, e hoje é um bem sucedido escritor de livros de auto-ajuda.

Juvenal é um dos donos do puteiro em Brasília, empresário bem sucedido como fabricante de cuecas lobistas e recentemente entrou para o segmento de panificação, seus panetones são maravilhosos!

Ah e a Pátria?

Continua a mesma, afinal desde que perdeu a virgindade com aquele portuga filho da puta, perdeu o respeito por si mesmo!


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sábado, 10 de abril de 2010

Amigo é pra essas coisas

O ser humano é realmente um bicho diferente dos outros, algumas vezes tem atitudes evoluídas, noutras tem comportamentos pra lá de primitivos. O bicho homem, quando comparado com o bicho bicho em algumas situações, chega a ser ridículo!

Quer ver?

Um canal de TV está exibindo um documentário sobre as abelhas, elas formam umas das comunidades mais bem organizadas, simples, objetivas e eficazes, nada burocráticas.

Você já viu abelha chefe de obras ou abelha secretária do mel? Já viu uma só abelhinha fantasma ou afilhada da abelha rainha? Já viu abelha puxar o tapete de outra abelha? Já viu colméia superfaturada? Já viu abelha rainha demitir abelha desafeta? Mas tome cuidado, algumas abelhas, assim como alguns homens têm ferrão!

Imaginem se fossem instituídas eleições diretas na colméia e uma abelha psitacídea fosse eleita presidenta da colméia... Ao invés de mel, a maioria das abelhas estaria voando ou fazendo cera, ao invés das funções serem exercidas de acordo com a competência, os cargos seriam loteados entre abelhas amigas interessantes e interesseiras, abelhas que coçam o saco o dia todo

Ah, mas o documentário sobre as pequenas abelhas ta chegando ao fim, elas, mesmo assim pequeninas, enxotaram um enorme urso que tentava comer todo o mel e destruir a colméia!

Ainda bem que no congresso só tem amigo urso!