terça-feira, 1 de março de 2011

Perna pra que te quero

Eu, que sempre fui avesso às penetrações forçadas, passivamente deixei-me conduzir àquela sala escura e obedeci feito virgem embevecida, às exigências daquela sacerdotisa que haveria de profanar meu templo sacro-inguinal.

- Fique nu!

E eu pudicamente me semidespi.

- Deite-se aí!

E eu ansiosamente me deitei naquele altar.

Ela nem pediu licença e com a intimidade das amantes, sacou minha cueca, começou a levantar o herói dormente.

Puxa daqui, levanta dali, como se tocasse uma desajeitada, ameaçou qualquer reação com um daqueles aparelhos descartáveis de camelô, que percorria meus pelos pubianos com mais voracidade do que moto-serra amazônica! Fiquei feliz por não ser um !

De repente, não mais que de repente, sinto uma ardência, algo me penetrou! Socorro! Estou sendo arrombado!

A sensação é estranha, nova; não chega a ser dolorosa, só estranha. Tem algo percorrendo o meu corpo, sinto, mas não localizo...

- Você, agora, vai sentir muito calor, mas é assim mesmo! Será que minha sacerdotisa acha que nunca cheguei na vida? – Um, dois, três e já!

Uau! Isso só pode ser múltiplo orgasmo! Foi como se todos os meus orifícios orquestrassem uma reação sequencial e liberassem fumaça! Soltaram uma bomba atômica dentro de mim!

- Prontinho, foi bom pra você? Que falta de romantismo, esse profissionalismo me deprime!

Me tiram daquela cama de fetiches, sinto-me uma puta de alta produtividade, saio de uma cama pra outra, passo por umas três até chegar ao quarto onde parece que vai ter suruba: três camas, dois casais, uma morena jeitosa, começa me explicando que não posso me levantar, nem movimentar a perna por três horas e que vai...

Ui, a morena ta explorando minha virilha, meio desajeitada, com a mão pesada... Apertando demais! Pára de enfiar o dedo aí? Ta pensando que isso aqui é capô de fusca quando emperra?

Tudo bem que você tenha que estancar a femoral, mas nem por isso precisa fraturar minha bacia! Pra que esse tanto de compressas? E esse esparadrapo largo, que pega do meio da cocha e segue num “s” estilizado até a altura do rim? Sádica do cacete, amanhã que tem que sofrer pra tirar sou eu né!

Quer saber? Vai lá cuidar dos pacientes do protologista, não sabe fazer carinho sem machucar? Aqui não precisa apertar mais nada, eu quero é mais safenar!

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