sexta-feira, 11 de junho de 2010

Estátuas

Outro dia, passeando pelo centro do Rio de Janeiro, me deparei com uma estatua e notei que muita gente passava por aquela praça, muito bonita por sinal, mas ninguém se preocupava, sequer reparava na homenagem àquele personagem historicamente importante.

Os políticos, em sua grande maioria, após o cumprirem os mandatos a que foram eleitos, deveriam ser obrigatoriamente homenageados com uma estatua.

Quanto pior tiver sido sua atuação, maior destaque seria dado a estatua, assim todos iriam se lembrar de que o Deputado Fulano durante os quatro anos de mandato, não apresentou nenhum projeto de lei. Que o tal Prefeito Beltrano, que só desviou verbas e presenteou a sua confraria com contratos superfaturados, passasse a se ver, em plena praça, numa estatua totalmente ignorada, assim como fez com o povo durante o seu “governo”.

Bem, essa ideia iria criar alguns problemas, faltariam praças! Viagem comigo nessa, que Deus me perdoe, saudável vingança.

Os pichadores poderiam revidar todos os desmandos cometidos. Com seus caracteres ininteligíveis, estabeleceriam uma comunicação própria, codificada, assim como o “estatuado” agiu, de forma desrespeitosa e incompreensível, dilapidando o bem público.

Os homenageados saberiam, mesmo que de forma simbólica, como é passar horas a fio sob a chuva, ou naquele Sol escaldante ou no frio das madrugadas, da mesma forma silenciosa como nos deixaram nas filas dos INSS, das Caixas Econômicas, do atendimento médico, do ônibus que não veio...

Imaginem, pelas noites afora, as centenas de transeuntes que, naquela hora de aperto pós-noitadas, aliviariam os efeitos diuréticos da cerveja aos pés de quem nunca respeitou o povo que o elegeu.

Os pombos... Ah, lindos pombinhos, arrulhando sobre aquelas cabeças ocas, que geraram tantas mazelas, cobrindo-as de titica, assim como aqueles que, erroneamente elegemos, fizeram com nossas cidades, nossas escolas, nossas instituições!

Pena que a maioria dessas estatua continuaria a ter o mesmo comportamento que seus inspiradores tiveram quando detinham o poder: presenciariam assaltos, abusos de poder, corrupção, prostituição, tráfico de drogas, miséria e continuariam não fazendo nada!

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